sábado, 3 de setembro de 2016

Em quatro pontos: o que está em jogo para Temer na cúpula do G20?

Começa neste domingo a 11ª cúpula do G20 - grupo das maiores economias do mundo - e também o primeiro evento internacional de Michel Temer como presidente da República.
O encontro dos principais líderes globais - que ocorrerá por dois dias em Hangzhou, na China - acabou servindo como palco ideal para o peemedebista buscar reforçar sua autoridade no Brasil e no exterior e abafar os protestos contra a cassação de Dilma Rousseff.
Confira abaixo, em quatro pontos, o que o encontro do G20 representa para o novo governo brasileiro.

1. Apresentação internacional

Temer usará sua intervenção inicial no G20, neste domingo, para apresentar ao mundo a situação da economia brasileira e quais seus planos para o governo, disse à BBC Brasil o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey.
Em seu discurso, ele dará destaque às medidas que pretende adotar para equilibrar as contas públicas e estimular o crescimento. Além disso, deve citar investimentos que o país quer fazer em infraestrutura, por meio de concessões à iniciativa privada.
O tom da apresentação combina com a ênfase que a China, anfitriã do evento, escolheu para essa cúpula - a necessidade de reformas estruturais para estimular o crescimento.
"Quando você tem uma crise econômica (global), obviamente as atenções se voltam para isso. Quando você não tem, como foi o caso desse ano, a agenda fica um pouco mais aberta. Então, o que os chineses buscaram fazer é olhar mais para as medidas de médio e longo prazo", explicou Cozendey.
Ainda muito associada ainda às indústrias mais tradicionais e poluente, a China dará destaque no encontro a temas "modernos", como inovação e economia digital.
Também está programado que Temer falará na abertura da sessão sobre "desenvolvimento inclusivo", na segunda-feira. Ele, porém, pode falar quando quiser nas demais sessões, basta levantar uma "placa" do Brasil. O Itamaraty preparou outros possíveis discursos, caso o presidente queira fazer mais alguma manifestação.
 

2.Tête-à-tête com os líderes

Além da apresentação formal de seus planos aos líderes das maiores economias do mundo, a cúpula também serve como uma chance de Temer e seus ministros se encontrarem pessoalmente pela primeira vez com autoridades de outros países após a confirmação do novo governo.

"O G20 é uma grande oportunidade para líderes de países que representam 85% da economia mundial trocarem ideias e cada um saber o que o outro está fazendo, para onde o outro vai", comentou Cozendey.
Temer se reuniu na sexta-feira com o presidente chinês, Xi Jinping, e na segunda-feira tem encontros marcados com os primeiros-ministros de Espanha e Itália.
Outros líderes manifestaram interesse em se reunir com Temer, como os do Japão e Arábia Saudita, mas não foi possível conciliar as agendas.
"Sempre que há uma mudança de líder num país, há um interesse dos outros líderes em usar essas ocasiões para ter um primeiro contato, para poder criar esse relacionamento pessoal. Cada vez mais hoje na diplomacia, você tem essa valorização da relação interpessoal dos líderes, e o G20 é obviamente a ocasião por excelência para fazer isso", notou Cozendey.
Neste sábado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também teve um encontro com o o secretário do Tesouro americano, Jack Lew. O ministro das Relações Exteriores, José Serra, se reuniu com o chanceler turco.

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